Yenaldooshi
O primeiro e mais importante deles é o Yenaldooshi, nativo da região dos indios Navajos e do sudoeste. Assim como alguns tipos de wendigo e lobisomens, o Yenaldooshiadquire seu poder sobrenatural depois de violar um tabu cultural muito sério - assassinar um parente proximo. Os Yenaldooshi são xamãs e necromantes que disseminam doenças através de um pó feito de cadaveres. Para os índios Navajo, que veneram o pólen, isso é um grande sacrilégio. Os Yenaldooshi também podem confeccionar minúsculos grãos feitos de ossos. Se um parar debaixo da sua pele, você está numa grande enrascada. A maioria dos Yenaldooshi se transforma em coiotes, mas alguns também possuem outras habilidades metamórficas.
A maldição da Kakaskia
Em 1735, Kaskaskia era o centro do comércio no rio Mississipi, abrigando uma grande população de colonizadores franceses. Um rico mercador de peles, chamado Bernard, era dono de uma feitoria nos arredores da cidade e, mesmo não simpatizando muito com os índios, ele os contratava como serviçais. Acontece que um desses índios havia sido educado por missionários franceses, e Bernard, contrariando seus instintos, começou a se afeiçoar ao criado. Típico comportamento francês: achar que qualquer coisa pode ser aperfeiçoada quando posta em contato com sua cultura.
O problema surgiu quando Marie, filha de Bernard - que era a menina dos olhos do pai, uma vez que a esposa já havia morrido - começou a se afeiçoar ao índio também.
Mas o problema mesmo surgiu quando Bernard se deu conta de que o índio sentia o mesmo pela garota.
Bem, uma coisa era gostar de ter o índio por perto e trabalhando para ele, outra coisa completamente diferente era contemplar a possibilidade de ver sua princesinha corrompida pelo toque de um pele-vermelha. Bernard colocou o índio para correr e fez questão de se certificar que ele estava na lista negra de todos na cidade. Ninguém em Kaskaskia empregaria o rapaz. Ele acabou deixando a cidade, mas não sem antes prometer a Marie que voltaria para busca-lá.
Um ano mais tarde, após Marie ter recusado a corte de vários jovens franceses da cidade, um grupo de índios passou por Kaskaskia. Disfarçado entre eles, para evitar problemas, estava o amante de Marie. Eles se reencontraram para o norte, para longe de Kaskaskia e de Bernard.
O incidente esfureceu Bernard, que reuniu um pelotão e partiu no encalço dos dois, que acabou encontrando nas proximidades de Cahokia. Louco de raiva, Bernard ordenou que seus fiéis caçadores amarrassem o índio em um tronco e o jogassem no rio Mississipi, E eles o fizeram, sob protestos de Marie. Mas, antes de morre, o índio lançou uma maldição.
Antes do fim daquele ano, ele disse, Bernard estaria morto e ele e Marie ficariam juntos para a eternidade, Kaskaskia e todo o seu solo seriam arruinados, suas igrejas e casas seriam destruídas e os mortos arrastados de seus túmulos.
Um ano depois Marie faleceu, Bernard desafiou um comerciante para um duelo e bastou um tiro de pistola para que ele também morresse.
No decorrer dos 100 anos que se seguiram com a mudança de curso dos canais do rio, Kaskaskia sofreu tantos alagamentos que acabou completamente isolada de qualquer pedaço de terra firme. As pessoas começaram a abandornar a cidade, que aos poucos foi morrendo. Mas foi apenas em 1973 que a igreja e o altar foram alagados e destruidos. Muito antes disso, o cemiterio havia sido varrido por uma enxurrada e todos os corpos foram para no rio.
Ainda é possível achar Kaskaskia no mapa, mas, de acordo com o último censo, sua população era de - adivinhem?
Nove pessoas.
Nove pessoas morando em lugar que um dia fora a capital de Illinois.
Goofer Dust
A tradição hoodoo também nos deu um dos melhores amuletos contra bruxas que conhecemos. Observando nas populações afro-americanas do sul, a prática é a seguinte: Caso veja uma bruxa, tudo o que você precisa fazer para não ser enfeitiçado é repetir baixinho “vai se ferrar”, até que ela vá embora. Nós fazemos isso constantemente, praticamente o dia inteiro, só por precaução, caso haja uma bruxa por perto.
A maldição dos lagos Wisconsin - Ah e os insetos
Aqui vai uma que papai anotou em seu diário. Nós a encontramos enquanto tentávamos desvendar o que estava acontecendo em Oasis Plains, Oklahoma:
Maldição dos lagos de Wisconsin
O último índio a deixar o lago Wingra (conhecido também como Dead Lake, “O lago morto”), disse que a água iria secar. Nos 50 anos que se seguiram, o lago diminuiu drasticamente e, como saiu no Wisconsin State Journal, em 1923: “também se tornou conhecido por seus redemoinhos escondidos e por ser traiçoeiro”.
Um índio Winnebago foi assassinado no distrito de Maple Bluff, próximo ao lago Mendota. Ele conclamou os espíritos do lago para que amaldiçoassem os colonizadores brancos e matassem dois deles por ano. No mesmo artigo citado acima, lia-se: “Ainda que essa história seja uma fábula, é verdade que dificilmente um ano se passou na história de Madison sem que dois homens brancos tenham se afogado no Mendota”.
E que fábula.
Não que isso tenha qualquer coisa a ver com que aconteceu em Oasis Plains, mas é muito interessante para deixar passar. E o que realmente aconteceu em Oasis Plains foi tão estranho que não queríamos ter pressa para solucionar.
Era um empreendimento imobiliário como qualquer outro nos subúrbios, cheio de mansões pré-fabracadas igualzinhas - o tipo de lugar de onde fugiríamos nem que tivéssemos que arrancar fora um perna, caso fôssemos obrigados a morar lá. Não que a gente esteja julgando. Enquanto o local ainda estava em obras, um trabalhador da companhia de gás, chamado Dustin Burwash, caiu em um fosso. Quando o seu colega de trabalho chegou ao buraco e lhe jogou uma corda, Dustin já estava morto e seu cérebro havia-se transformado em purê de batata.
O legista disse que era uma doença da vaca louca, mas nós ainda estamos para conhecer um legista que saiba reconhecer vestígios de um assassino sobrenatural. É preciso ser profissional para isso.
Então resolvemos dar uma volta pelo empreendimento e conhecemos Larry Pike, um desse visionários autoproclamados do mercado imobiliário, que está sempre falando sobre como os seus magníficos becos canteiros ornamentados foram erguidos m meio a descampados cheios de moitas; ou então sobre seu filho Matt. Típico adolescente reclamão, o tal do Matt, a não ser pelo fato de ter uma obsessão por insetos e aranhas. No mesmo dia, descobrimos que um dos vigias da Larry havia sido picado por abelhas e morrido um ano antes - na manhã seguinte, outro corretor de imóveis local bateu as botas durante o banho. Morto por uma picada de aranha.
Imediatamente achamos que o caso estava resolvido. Óbvio que era o Matt, certo? Ele é o protótipo perfeito para canalizar um espírito vingativo: adolescente, insatisfeito com a família, interessado em coisas que a maioria das pessoas considera estranhas.
Então descobrimos que não era tão simples assim. Na verdade, Matt vinha monitorando as populações de insetos no que restara das pradarias de Zombie Acres - Ou qualquer que seja o nome do empreendimento - e os números eram assustadores. Ele nos mostrou um exemplo, um local onde a terra estava literalmente tomada por minhocas. Estranho, com certeza, mas estranho mesmo era o que estava por baixo daquilo.
Centenas de ossos, enterrados em uma vala comunitária.
Obra de um assassino em série ou resultado de um massacre de índios: essas eram basicamente as duas opções. Assim que conseguimos encontrar Jo White Tree, em uma reserva ali perto, descobrimos qual das alternativas estava correta. El nos contou o seguinte:
Duzentos anos atrás, um grupo dos meus ancestrais vivia naquele vale. Um dia a cavalaria americana apareceu com a intenção de realocá-los. Eles resistiram, deixando os cavaleiros impacientes. Nas palavras de meu avô: “Na noite em que o sol e a lua compartilham o céu como iguais”, a cavalaria invadiu a nossa vila pela primeira vez. Eles assassinaram, estupraram. No dia seguinte, vieram novamente. E de novo e de novo. Na sexta noite, a cavalaria apareceu uma última vez. Quando o sol nasceu, todos os homens, mulheres e crianças que ainda estavam na vila haviam sido assassinados.
Dizem que, no sexto dia, em seu leito de morte, o chefe da tribo sussurrou aos céus que nenhum homem branco jamais macularia esta terra novamente. A própria natureza cuidaria de rebelar-se para proteger o vale. E iria trazer tantos dias de sofrimento e morte para o homem branco quanto a cavalaria trouxera para seu povo. E, na noite do sexto dia, ninguém sobreviveria.
A partir daí nós juntamos as peças. Dustin Burwash havia morrido no equinócio de primavera, quando “o sol e a lua compartilham o céu como iguais”. O único cara que estava por ali no equinócio de primavera anterior - azarado do vigia - também não sobreviveu.
E nós descobrimos isso no quarto dia.
Aquela foi uma longa noite. Não conseguíamos convencer Larry, o rei das mansões pré-fabracadas, a ir embora, mesmo que ele e sua família fossem os únicos a continuar ali depois do probleminha que o outro corretor teve com a aranha. Chegamos à casa de Larry com todos os insetos de Oklahoma. Por uma combinação de sorte e teimosia pura e simples, sobrevivemos. E ainda salvamos a família Pike.
Esse caso teve um final particularmente feliz. Larry finalmente entendeu. Da última vez em que o vimos, ele jurou que ninguém nunca mais moraria naquela terra, se dependesse dele.
Então o que acontece se você descobre uma maldição indígena e não se muda? Não é possível quebrar a maldição: tudo o que você pode fazer é sair do caminho ou tentar aguentar. No século XVIII, em Illinois, uma cidade tentou resistir. Já ouvir falar de um lugar chamado Kaskaskia? Claro que não. Eis o porquê.
Rota 55
Foi reconstruída na primaveira de 1983 e passava pelo distrito de Deptford. Um índio local de Delawere - Carl Pierce ou Sachêm Wayandanga, dependendo de onde você pesquisa - alertou os engenheiros de que o caminho previsto para a estrada violava um dos cemitérios de sua tribo. No entanto, burocratas que eram,não deram a mínima.
De acordo com um jornal de Newark chamado Star-Ledger, os seguintes acidentes sucederam durante as obras:
Fora do canteiro de obras, durante a primeira semana de construção, quatro familiares de pessoas que trabalhavam no projeto morreram repentinamente. Tudo isso pra construir apenas 11 Km de estrada.
A moral da história aqui é a seguinte: Quando um índio diz que você não deve construir uma estrada, talvez você deva escutá-lo.
Amityville
Em 1644, o relacionamento entra ingleses e holandeses, onde hoje fica Long Island, Nova York, era complicado. Um dos problemas era o fato de que os dois lados não conseguiam chegar a um acordo sobre como lidar com os índios massapequa, cujo chefe, chamado Tackapausha, dizia ter vendido aos holandeses apenas o direito de usar a terra ocupada por suas colônias - não a terra em si. Depois de muito discutir o problema, os holandeses decidiram tomar as rédeas da situação e contrataram o capitão John Underhill, um temido caçador de índios que, alguns anos antes, durante a guerra de Pequot, havia-se tornado famoso por causa do Massacre de Mystic, no qual 400 pequots foram queimados vivos ou abatidos, enquanto tentavam fugir de uma vila próxima ao rio Mystic. Com essa atrocidade em seu currículo e tendo mudado há pouco para a ilha de Manhattan (o pedaço de terra que corresponde hoje ao local de construção da Trinity Church), o capitão era a contratação perfeita para ajudar os holandeses a eliminar a questão dos massapequa. E assim ele fez. Primeiro presidiu a tortura e o assassinato de sete índios acusados de roubar porcos, depois emboscou e abateu aproximadamente 120 massapequas, enterrando-os em uma vala situada num local chamado Fort Neck. Por esse trabalho - e por outro realizado alguns meses depois no local onde hoje fica Westchester Country - recebu a quantia de 25 mil florins holandeses.
Quando, anos depois, uma estrada foi construída no local onde ficava o Fort Neck, disseram que o slo ali era mais vermelho do que em qualquer outro lugar nas redondezas. Uma escavação arqueológica no local, por volta da mesma época da construção da estrada, revelou os ossos de 24 pessoas, provavelmente massapequena mortos por Underhill. O restante deles nunca foi encontrado.
O interressante nisso tudo é que Fort Neck fica a mais ou menos 1,5 km do número 112 da Ocean Avenue, endereço do mais famoso caso de assombraento da história dos Estados Unidos. Depois que Butch DeFeo matou seus pais e quatro irmãos dentro da casa, ele alegou ter sido possuído pelo espírito de um líder indígena quando cometeu os assassinatos. A família Lutze, que se mudou para a casa após o incidente, fugiu depois de um mês, assustada por uma verdadeira avalanche de atividades paranormais. Você já viu esse filme: cheiro de enxofre vindo do “quarto-vermelho” no porão, oscilações de temperatura, um crucifixo que vira de cabeça para baixo, ectoplasma gotejando das paredes - clássica história de poltergeist. Não nos surpreenderia nem um pouco se o tal Tackapausha ou qualquer outro massapequa que morrera em Fort Neck estivesse com raiva o suficiente e tivesse morrido de maneira violenta o suficiente para se unir a esse tipo de espírito atormentado.
Partes da história contada pela família Lutze foram questionadas, mas nós sabemos que não é incomum para pessoas que tiveram experiências sobrenaturais ter memórias obscuras e fragmentadas sobre o ocorrido. As próprias pessoas também inventam coisas. Mas, veja bem, se você quer mesmo saber, um histórico local de índios massacrados e jogados em valas comunitárias é estimulo suficiente para uma caçada. E é possível que os Lutzes tenham escapado sem sofrerem muito.
Bloody Mary
Aqui vai um clássico. Você se coloca na frente de um espelho em um quarto escuro e diz “Bloody Mary”. Três vexes, treze vezes ou cem vezes. Talvez à meia-noite, talvez andando em círculos, talvez subindo um escada de costas.
Mas quem é Bloody Mary? O nome vem da rainha inglesa Mary Tudor, famosa por ter perseguido dissidentes protestantes. Mas já foi atribuída a vários pessoas desde então. Como Mary Worth, por exemplo, acusada e condenada por ter assassinado seus próprios filhos - só que ninguém nunca sabe onde e quando. Provavelmente na sua cidade, muito tempo atrás. Ou Bloody Mary pode ser o fantasma de uma mulher assassinada logo após seu casamento e que poderia estar grávida. Você pode envocá-la dizendo que foi você Quem matou seu bebê. Dizem que, se você o fizer e ela aparecer, duas coisas podem acontecer: ou ela vai lhe contar algo sobre o seu futuro, ou vai arrancar toda a pele do seu rosto e matá-lo.
A parte do espelho é muito antiga. Vejamos o que nosso pai relatou:
“A catoptomancia, ou adivinhação por espelhos, vem sendo praticada em quase todas as culturas desde o surgimento desse objeto. Antes disso, qualquer superfície que produzisse reflexo - água parada, principalmente - era usada para fazer profecias ou para que se pudesse prever o futuro. Os astecas criaram o Tezcatlipoca, ou “espelho fumegante”, derramando mercúrio dentro de uma tigela. John Dee, mágico da corte da Rainha Elizabeth I, fazia adivinhações com a ajuda de espelhos.Várias culturas mencionam que se você realizar um certo tipo de ritual enquanto se olha no espelho, como comer uma maça, pentear o cabelo ou realizar qualquer uma das milhares tarefas diárias de uma dona de casa - verá seu futuro marido. Uma variação dessa lenda é olhar para dentro de um poço ao nascer do sol para ver que reflexo aparece dentro dele, quando o sol começa a brilhar. Em muitas dessas histórias, o perigo é que você corre o risco de ver a Morte, o que significa que você irá morrer antes de se casar.
A tradição também diz que, quando uma pessoa morre, os espelhos da casa devem ser cobertos, para que o espírito não fique dentro de um deles.
Quebrar espelhos é sinal de azar por que eles são o reflexo da nossa alma e também por que contem o futuro. Por isso os sete anos de azar: você quebrou o seu futuro.”
Espíritos aquáticos
Nosso pai se meteu em confusões com vários desses espíritos e deixou algumas anotações sobre eles em seu diário.
Vodyanoy
Espírito aquático russo do sexo masculino. Apontando por alguns como um metamorfo, mas aparece mais na forma de um velho com a pele escamada e uma barba verde emaranhada em muco e algas. Pode viver em turbilhões de água. Em porções maiores de água, geralmente reside em destroços de navios naufragados, tendo como criadagem os fantasmas da tripulação que afundou com o navio. Afoga pessoas para transformá-las em escravos, mas protege os pescadores que o apaziguam oferecendo-lhe o primeiro peixe da pescaria. Gosta de manteiga e tabaco.
Também gosta da rusalka, e costuma casar-se com uma ou tomar várias como servas/concubinas. rusalkis são espíritos de mulheres assassinadas ou cujo suicídio foi relacionado à água, às vezes crianças que foram afogadas pelas próprias mães. (Ver mulher de branco). Na forma adulta, cantam para atrair passantes e marinheiros, para depois afoga-los e transformá-los em seus espíritos-amantes. A sabedoria popular insinua que possuem características vampirescas. Algumas rusalkis desaparecem , caso sua morte seja vingada,. Também podem ser dissipadas se ficarem fora de água tempo suficiente para seus cabelos secarem por completo. Qaundo na forma de crianças, podem ser dissipadas por batismo com água-benta.
Ouvi falar dos vodyanoy por intermédio de caçadores do Alaska, mas nunca vi um.
O nix germânico combina caracteristica tanto do vodyanoy quanto da rusalka. Quando assume a forma humana, geralmenre é do sexo masculino, muito bonito e perigoso para as moças solteiras e crianças não batizadas. Mais ativo nos solstícios de verão e de inverno (versões cristãs da lenda dizem que aparece também na véspera do Natal). Toca música para atrair seus alvos. É também um mau presságio de afogamento - assim como a Banshee - e pode ser ouvido gritando de dentro da água , sinalizando que alguém está para se afogar. Assim como o vodyanoy, o nix gosta de tabaco, além de vodka. Pode ser atraído para a superfície por sangue pingando na água, ou pelo sacrifício de um animal negro. certa vez, em pickney, Michigan, eu atraá um nix usando um black shuck como sacríficio. foi bonito de se ver: um cão do inferno se engalfinhando com um espírito aquático. o shuck venceu e , como forma de agradecimento, eu o mandei de volta pro inferno.
Algumas vezes um nix aparece na forma de um cavalo chamado bäckahästen (cavalo dos córregos), o qual, se montado por alguém, joga seu cavaleiro dentro da água, afogando-o. Há aqui uma coincidência com história celtas/escocesas sobre o kelpie e o each uisge. kelpies surgem nas névoas próximas a rios e afogam aqueles que os montam. Pode ser seguro usar o each uisge como montaria, contanto que ele não possa ver e nem sentir o cheiro da água. No instante em que isso acontece, ele arrasta o cavaleiro para dentro da água e o devora, deixando apenas o fígado.
Esse último detalhe eu achava que era só história, até que me atraquei com um each uisge na reserva de Quabbin, em Massachusetts. Pra completar, esse havia assumido a forma humana de um belo rapaz, sempre som o cabelo cheio de ervas daninhas. tive muita sorte de sair vivo e com o meu fígado intacto. eu adorava nadar, mas essa foi mais uma coisa que o trabalho tirou de mim.
Espíritos aquáticos não precisam de muita água, inclusive. Vide as lendas britânicas de Jenny Greenteeth ou Peg-o’-the-Nell.
Os Mannegishi, espíritos de índios norte-americanos que vivem em corredeiras, gostam de pregar peças em humano. Mas as brincadeiras tendem a acabar em morte. Uma de suas preferidas é virar canoas. Eu encontrei um mannegishi em Minnesota, não muito longe de onde mora o Pastor Jim. Ele virou sete caiaques antes que eu conseguisse acabar com ele.
Banshee
Às vezes estão vestidos de branco, às vezes embrulhados em um lençol ou usam as vestes em que foram enterradas. Elas lamentam, gritam e às vezes cantam para anunciar a morte de algum membro da casa onde são ouvidas. Geralmente, aparecem em três formas diferentes, que correspondem aos três estágios da vida de uma mulher (e talvez tenham alguma relação com a idade da pessoa cuja morte está sendo sinalizada). Um espírito banshee pode aparecer na forma de uma bela jovem, de uma mastrona ou de uma velha, feia e moribunda. Quando na forma da velha, possuí uma conexão, bem longínqua, com conhecidas figuras inglesas do mesmo tipo, como a Black Annis, uma bruxa caolha de bom porte fisico e feições demoníacas: dentes compridos, garras de ferro e um rosto azulado. Dizem que ela se resta primitiva. Como muitas bruxas, tinha hábitos canibais, preferindo sempre crianças, as quias esfolava, ainda com vida, antes de comer, suas peles eram penduradas em uma caverna debaixo da árvore.
Outro exemplo é a baba yaga, de tradição russa. Dizem que mora nas profundezas da floresta, em uma cabana mágica, dotada de pernas de galinha, e que costuma se alimentar de crianças. No entanto, ao contrario da Black Annis, a baba yaga pode ser uma importante fonte de ajuda mágica para um herói ou criança em busca de algo. Se você fizer as perguntas certas ou pegá-la de bom humor, é possivel que ela o ajude a resolver seu problema, ao invés de transformá-lo em jantar.
Uma Banshee costuma ser vista chorando enquanto lava roupas ensanguentadas no rio - geralmente as roupas de alguém que está para morrer. Além disso, ela pode aparecer na forma de corvo, coelho ou de um furão.
Caroneira fantasma: Nosso pai tinha uma opinião bem formada sobre ela.
É sempre perigosa, pois usa como isca uma das mais nobres qualidades humanas o impulso a ajudar o próximo. O problema da caroneira fantasma é que ela nunca desaparece por completo. Às vezes deixa para trás um objeto pessoal, fazendo com que a pessoa que lhe ofereceu carona tente encontrá-la novamente. Geralmente, a busca leva direto para um cemitério - e lá se vai mais um bom samaritano deste mundo. Alguns espíritos sabem que não podem fazer uma abordagem direta, outros simplesmente adoram o jogo e divertem-se, tirando vantagem do lado nobre da raça humana.